Amor Além da Vida? O Mistério dos Túmulos que "Teriam se Unido" em um Cemitério da Cidade de São João do Triunfo/PR!

Por Marco Faustino

Provavelmente, ao lado de Minas Gerais, o Paraná é o estado brasileiro que mais me proporcionou oportunidades para escrever sobre casos, alguns tristes e outros de cunho histórico, além de lendas e “causos” assombrosos. Um desses casos, que mais me emocionou ao longo do tempo, sem dúvida alguma foi a de Edson Carvalho, na época com 45 anos, que havia encontrado um mausoléu abandonado no Cemitério Municipal de Marialva, e vinha fazendo do local o seu lar há 11 anos. Sim, isso mesmo que vocês leram: 11 anos. Um homem que ganhava entre R$ 600 a R$ 700 por mês, atuando em serviços de construção, incluindo obras no próprio cemitério, cujas refeições diárias acabavam sendo parte do seu próprio pagamento. Edson teria ido parar nas ruas após a morte dos pais. Assim sendo, no pequeno e apertado “mausoléu”, com dimensões de 1,8 x 2,4 m, ele passou a dormir enrolado em velhos cobertores, mesmo nos dias mais frios, e no meio de insetos, muitos insetos mesmo. Aliás, em uma das reportagens sobre esse senhor foi mencionado, que sua condição de vida parecia “não incomodar os habitantes de Marialva, cidade que tem sua base econômica sustentada pela agricultura e pelo cultivo de uvas finas. Edson Carvalho havia se tornando uma figura folclórica no município sendo adjetivado por alguns como ‘morto-vivo’ ou ‘sem terra’.” Para completar a situação, um pedreiro chamado Leonel Batista, que trabalhava no cemitério, acreditava que o homem fosse “alvo de uma maldição”. O caso foi bem espetacularizado por uma parte da mídia paranaense, porém tentei trazê-lo da forma mais humana e sincera possível para vocês (leia mais: Conheça Edson Carvalho: O Homem que Mora há 11 Anos em um “Mausoléu Abandonado” no Cemitério Municipal de Marialva/PR).

Agora, eis que uma inscrita chamada Julia Hortência, sugeriu que falássemos sobre uma reportagem exibida em 28 de dezembro do ano passado, pelo programa Tribuna da Massa, apresentado por Eleandro Passaia, que é exibido ao vivo (de segunda a sexta, às 12h, e aos sábados, às 12h30), e que traz as notícias de Curitiba e região metropolitana, além dos acontecimentos mais relevantes do Paraná, que podem afetar o cotidiano da população. Com foco na comunidade, a linha editorial do Tribuna da Massa aborda temas diários, notícias da cidade e prestação de serviços. Tudo isso mantendo uma relação interativa com o espectador, que pode sugerir pautas e participar ativamente por meio de telefone, e-mail e redes sociais, ao menos é isso o que dizem, é claro. A reportagem era sobre um caso, onde supostamente dois túmulos teriam misteriosamente se unido em um cemitério da cidade de São João do Triunfo, no Paraná. Assim sendo, fiquei na incumbência de ir atrás desse caso e mostrar não somente a lenda que gira ao redor do mesmo, mas alguns detalhes, que acabaram não sendo contados sobre o tal mistério. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Um Pouco Sobre a Cidade de São João do Triunfo, no Paraná

Sempre que possível, é muito importante conhecermos um pouco sobre a cidade onde determinados casos ocorrem, visto que isso, muitas vezes, se torna fundamental no processo de entender como algo acaba acontecendo, e como todo um aspecto socioeconômico pode influenciar positivamente ou negativamente em algumas questões. Aliás, algumas vezes não adianta explicar um determinado assunto, se vocês não compreenderem o ambiente ao redor, e como uma situação acaba evoluindo ao longo do tempo, principalmente quando certos detalhes tão simples aparentemente são ignorados. Uma vez que estamos no Brasil, um país de dimensões continentais com mais de 5.500 municípios, isso se torna ainda mais primordial.

Bem, a cidade de São João do Triunfo fica localizada a sudoeste da capital do estado, Curitiba, a aproximadamente 130 km de distância. O município pertence à Mesorregião do Sudeste Paranaense e à Microrregião de São Mateus do Sul, sendo que sua população estimada, em 2016, de acordo com informações do IBGE, era de quase 15.000 habitantes.

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Visão parcial da avenida central da cidade de São João do Triunfo, em setembro de 2016

A região de São João do Triunfo começou a ser povoada em 1864. Tudo começou no momento em que um homem chamado João Nunes de Souza, que morava em São José dos Pinhais, planejou caçar a caminho dos sertões paranaenses. Caçador aventureiro por dedicação, o sertanista João de Souza partiu de sua terra, percorreu o rio Iguaçu abaixo, e margeou o rio da Vargem acima, até certo ponto. A caça era farta, a mata era exuberante, as águas eram muito ricas, e o solo era fértil, e isso deixou encantado o desbravador, que preferiu se estabelecer naquele lugar juntamente com sua família.

A região foi desbravada, sementes foram lançadas, picadas foram abertas na mata, e não demorou muito tempo para que as notícias se espalhassem sobre o local. Assim sendo, um novo morador de Rio da Vargem (antigo nome do local, concedido por João Nunes) chamado Antonio Dotes chegou com outras pessoas em 1867 que, juntas, não demoraram a constituir um diminuto povoado. De grande religiosidade, a população local ergueu uma capela, onde entronizou-se a imagem de São João Batista. A população construiu uma série de casas em torno da diminuta igreja e, pouco tempo depois, alterou-se o nome do povoado de Rio da Vargem para São João do Triunfo. Assim sendo, o nome atual da cidade homenageia o santo padroeiro São João Batista e o senhor João Nunes de Souza, fundador da localidade. Acrescentou-se também a locução adjetiva “do Triunfo” devido à obtenção do sucesso pelos corajosos sertanistas da região de Rio da Vargem.

Igreja Matriz de São João do Triunfo, em setembro de 2016

Foi com a nova denominação que, no dia 16 de março de 1871, através da Lei Provincial nº 254, São João do Triunfo elevou-se à categoria de Freguesia. Através da Lei Estadual nº 13, de 8 de janeiro de 1890, já em plena República Velha, criou-se o município de São João do Triunfo, com terras que se desmembraram de Palmeira.

O novo município, um dos mais antigos do período republicano, foi instalado oficialmente no dia 15 de fevereiro de 1890, quando empossaram o intendente e os vereadores. Confira abaixo um sobrevoo de helicóptero pela cidade de São João do Triunfo, em um vídeo que foi publicado no canal da Katia G, no YouTube, em maio de 2010:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Sgc0rBfZOcQ]

A economia de São João do Triunfo baseia-se primordialmente na agropecuária e no setor de prestação de serviços, e o município é considerado relativamente tranquilo para se morar. Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de São João do Triunfo, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos, muito embora o município tenha apenas dois feriados municipais: o dia da Festa de São João Batista, comemorada em 24 de junho, e o dia da emancipação política da cidade, em 15 de fevereiro.

A Lenda e a Matéria Exibida Pelo “Tribuna da Massa” em Dezembro do Ano Passado

Todo esse “mistério” envolvendo dois túmulos, que teriam se unido após a criação dos mesmos é alimentado por uma lenda local, que consta na página 119, do livro chamado “Lendas e Contos Populares do Paraná”, criado justamente pelo Governo do Estado do Paraná, em 2005, e que possui uma edição completinha e de acesso gratuito na internet.

Vale ressaltar nesse ponto, que no ano de 2005, a Secretaria Estadual da Cultura do Paraná (SEEC) realizou uma pesquisa para coleta das lendas e contos populares do Estado. Dessa forma, chegaram ao número de mais de 200 histórias encontradas em aproximadamente 100 municípios paranaenses. Esses contos e lendas foram divididos conforme suas temáticas em: lendas do monge João Maria; manifestações de santos e santas; maldições, pragas e maledicências; assombrações, noivas e outras aparições; benzimentos, curas e milagres; cemitérios e caixões; heróis, bandidos, escravos e aventuras; lendas indígenas; lendas de lobisomens, demônios, monstros e outros seres fantásticos; lugares e coisas encantadas; tesouros escondidos e origem e nomes de localidades e cidades. Ufa! Sem dúvida alguma, um projeto muito interessante!

Vale ressaltar nesse ponto, que no ano de 2005, a Secretaria Estadual da Cultura do Paraná (SEEC) realizou uma pesquisa para coleta das lendas e contos populares do Estado. Dessa forma, chegaram ao número de mais de 200 histórias encontradas em aproximadamente 100 municípios paranaenses.

Já em relação a lenda sobre os túmulos, a mesma aparece intitulada como a “Lenda do Cemitério”, sendo bem simples de ser entendida. Esta lenda seria contada pelas pessoas mais velhas do município de São João do Triunfo, e elas relatam que, misteriosamente, dois túmulos teriam se unido no cemitério municipal.

A história que todos contam é que isso teria sido a manifestação sobrenatural do amor, uma vez que essas duas pessoas ali sepultadas não puderam viver um grande amor, porque pertenciam a classes sociais diferentes, e somente assim puderam viver juntas. Conforme demonstram as fotografias tiradas dos túmulos, poderia-se ver, claramente, que os mesmos teriam se juntado. Dizem que eles estavam muito distantes um do outro, e não haveria como empurrá-los ou que não haveria quaisquer possibilidades de deslizar um ao encontro do outro. Simples, não é mesmo?

Já em relação a lenda sobre os túmulos, a mesma aparece intitulada como a “Lenda do Cemitério”,
sendo bem simples de ser entendida.

Assim sendo, em dezembro do ano passado, o programa “Tribuna da Massa” exibiu uma reportagem sobre esses túmulos. Confiram a reportagem abaixo, que foi exibida no dia 28 de dezembro, e publicada no canal “Tribuna da Massa – Curitiba e região”, no YouTube:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=QUU_wV1CGjo]

Entretanto, para evitar que vocês gastem a franquia de internet de vocês, e tenham que assistir o longo vídeo de pouco mais de 8 minutos de duração, irei apontar o que foi mencionado no mesmo, combinado?

Bem, inicialmente o vídeo começa com apresentador Eleandro Passaia dizendo que iria mostrar uma história, que mexia com a imaginação das pessoas, sobre um homem e uma mulher, que eram noivos e teriam morrido antes do casamento. Porém, na morte, essas duas almas gêmeas teriam se unido, quer dizer, ao menos era isso, que seria contado por “todos os moradores da cidade”.

Bem, inicialmente o vídeo começa com apresentador Eleandro Passaia dizendo que iria mostrar uma história, que mexia com a imaginação das pessoas, sobre um homem e uma mulher, que eram noivos e teriam morrido antes do casamento. Porém, na morte, essas duas almas gêmeas teriam se unido, quer dizer, ao menos era isso, que seria contado por “todos os moradores da cidade”.

Então, a reportagem finalmente começa mostrando um senhor de chapéu, que não teve seu nome inicialmente divulgado, nem mesmo no chamado “lettering” (a parte inferior da tela, onde são exibidas informações pertinentes ao que é exibido, sendo que nenhuma das pessoas que aparecem na reportagem tiveram seus nomes divulgados no “lettering“), dizendo que algumas pessoas já teriam ouvido uma espécie de choro em uma “capela” (daqui a pouco você entenderão qual é essa “capela”) e, pouco tempo depois, também teriam notado uma água escorrendo e oriunda da parte de cima da mesma. Ao final da matéria ficaríamos sabendo que esse senhor de chapéu era um dos coveiros mais antigos do cemitério, porém estava aposentado.

Logo em seguida, apareceu uma senhora dizendo que havia uma moça que, dizia-se, que sempre seria vista chorando em frente a um determinado túmulo, provavelmente um dos túmulos da lenda.

Então, a reportagem finalmente começa mostrando um senhor de chapéu, que não teve seu nome inicialmente divulgado, dizendo que algumas pessoas já teriam ouvido uma espécie de choro em uma “capela” (daqui a pouco você entenderão qual é essa “capela”) e, pouco tempo depois, também teriam notado uma água escorrendo e oriunda da parte de cima da mesma.
Logo em seguida, apareceu uma senhora dizendo que havia uma moça que, dizia-se, que sempre seria vista chorando em frente a um determinado túmulo.

Parafraseando o salmo 23 da Bíblia, o apresentador Eleandro Passaia e o cinegrafista Ivan Pereira, visitaram o cemitério durante a noite, e pouco tempo depois fomos apresentados ao túmulo de mulher chamada Maria Antunes Ferreira, e um outro túmulo, dessa vez pertencente a um homem chamado Lourenço Hipólito Neto.

Parafraseando o salmo 23 da Bíblia, o apresentador Eleandro Passaia e o cinegrafista Ivan Pereira,
visitaram o cemitério durante a noite…
e pouco tempo depois fomos apresentados ao túmulo de mulher chamada Maria Antunes Ferreira…
…e um outro túmulo, dessa vez pertencente a um homem chamado Lourenço Hipólito Neto.

Sem dar maiores explicações, Eleandro aparece entrevistando um adolescente, e o questiona se tudo não passava de lenda ou se era mesmo verdade. Como era de se imaginar, o adolescente acreditava que a história dos túmulos pudesse ser mesmo verdadeira. Ao ser questionado sobre o que estava fazendo no cemitério, ainda mais naquele horário, o adolescente simplesmente respondeu que ele ficava imaginando o que a avó dele poderia falar para ele, ou seja, quais conselhos ela poderia lhe dar, porque seu coração era repleto de dúvidas.

Em seguida, Eleandro perguntou ao adolescente se ele acreditava que sua avó se comunicava com ele, através de sua mente. O adolescente respondeu novamente que sim, e que muitas vezes ele entendia o que a avó queria dizer para ele. Algumas vezes, inclusive, ele pedia para que a avó aparecesse em sonho, e a mesma aparecia para o jovem rapaz.

Eleandro perguntou ao adolescente se ele acreditava que sua avó se comunicava com ele, através de sua mente. O adolescente respondeu novamente que sim, e que muitas vezes ele entendia o que a avó queria dizer para ele. Algumas vezes, inclusive, ele pedia para que a avó aparecesse em sonho, e a mesma aparecia para o jovem rapaz.

Essa é uma parte bem estranha da reportagem, porque o adolescente não tem nenhuma relação com Maria Antunes Ferreira ou Lourenço Hipólito Neto, visto que somente no final da reportagem é informado que o mesmo seria muito tímido e por isso se dirigia ao cemitério para pedir conselhos a falecida avó, ou seja, essa é uma situação bem aleatória no meio da reportagem.

Durante o dia, Eleandro Passaia aparece falando algumas frases de efeito e, somente após uma longa cabeça (introdução), ele resolve dizer que iríamos conhecer um cemitério, que estava inspirando as pessoas de maneira positiva, a inspiração para o amor. Assim sendo, é mencionado que São João do Triunfo era uma cidadezinha centenária, que cresceu aos pés da igreja, que por sua vez teria celebrado muitos casamentos, inclusive o do Lourenço, se a morte não tivesse lhe chamado.

Assim sendo, é mencionado que São João do Triunfo era uma cidadezinha centenária, que cresceu aos pés da igreja, que por sua vez teria celebrado muitos casamentos, inclusive o do Lourenço, se a morte não tivesse lhe chamado.

Posteriormente, Eleandro explicou que, para separar um túmulo do outro, sempre havia uma “passagem” nos cemitérios, porém no Cemitério Municipal de São João do Triunfo havia uma exceção. Logo em seguida, ele mostra uma pequena “capela” sendo que o túmulo logo abaixo da mesma teria sido construído de forma centralizada a “capela” em questão, algo que não víamos atualmente.

Posteriormente, Eleandro explicou que, para separar um túmulo do outro, sempre havia uma “passagem” nos cemitérios, porém no Cemitério Municipal de São João do Triunfo havia uma exceção
Logo em seguida, ele mostra uma pequena “capela” sendo que o túmulo logo abaixo da mesma teria sido construído de forma centralizada a “capela” em questão, algo que não víamos atualmente.

Segundo Eleandro, no túmulo à esquerda, aquele que teria se “deslocado misteriosamente”, descansaria a Maria, noiva do Lourenço, cujos restos mortais se encontram no túmulo à direita. Ele teria morrido primeiro, e ela teria morrido alguns meses depois. Porém, o que ninguém conseguia entender era o porquê, “meses após ser sepultada“, o seu túmulo teria simplesmente “se deslocado e se juntado” ao de Lourenço.

Isso também foi comentado por uma senhora que alegou, que o túmulo não seria originalmente encostado um no outro, e que “após alguns dias” os dois túmulos teriam se juntado.

Segundo Eleandro, no túmulo à esquerda, aquele que teria se “deslocado misteriosamente”, descansaria a Maria, noiva do Lourenço, cujos restos mortais se encontram no túmulo à direita. Ele morreu primeiro, e ela morreu alguns meses depois.
Porém, o que ninguém conseguia entender era o porquê, “meses após ser sepultada“, o seu túmulo teria simplesmente “se deslocado e se juntado” ao de Lourenço.
Isso também foi comentado por uma senhora que alegou, que o túmulo não seria originalmente encostado um no outro, e que “após alguns dias” os dois túmulos teriam se juntado.

Atualmente, portanto, ambos descansariam lado a lado, Maria e o amor de sua vida. A reportagem também oferece um outro ângulo, mostrando os túmulos de cima, onde é possível ver o quão o túmulo de Maria estaria descentralizado. Segundo Eleandro, a “força do amor teria sido maior do que a força da gravidade”.

Atualmente, portanto, ambos descansariam lado a lado, Maria e o amor de sua vida. A reportagem também oferece um outro ângulo, mostrando os túmulos de cima, onde é possível ver o quão o túmulo de Maria estaria descentralizado
Imagem mostrando a descentralização do túmulo de Maria em relação a “capela”,
e o comparativo com o túmulo de Lourenço. O ângulo de visão não favorece muito, mas é possível ter uma ideia.

Ainda de acordo com o apresentador, seria mais fácil se o túmulo tivesse deslizado para baixo, mas “o túmulo teria subido em direção ao outro”. Em seguida, são apresentadas as opiniões de alguns moradores locais, que diziam acreditar no amor das duas almas.

Então, a reportagem finalmente identifica quem eram os dois homens que apareciam no começo. Em primeiro plano, temos um dos coveiros mais antigos do cemitério (não entendi o nome o dele, quem souber deixe nas opiniões que acrescento na matéria), porém ele teria se aposentado após muitos anos de intenso e árduo trabalho. Ao fundo, no entanto, temos o “Marquinhos”, o atual coveiro, e o único da região que teria aceitado o cargo.

Então, a reportagem finalmente identifica quem eram os dois homens que apareciam no começo. Em primeiro plano, temos um dos coveiros mais antigos do cemitério, porém ele teria se aposentado após muitos anos de intenso e árduo trabalho. Ao fundo, no entanto, temos o “Marquinhos”, o atual coveiro, e o único da região que teria aceitado o cargo.

Ao serem questionados se tal situação havia ocorrido com algum outro túmulo, ambos disseram que aquele tinha sido o único caso, e que não conheciam nada parecido em outro lugar.

Ao serem questionados se tal situação havia ocorrido com algum outro túmulo, ambos disseram que aquele tinha sido o único caso, e que não conheciam nada parecido em outro lugar.

Os túmulos acabaram virando, é claro, uma espécie de ponto turístico, cuja fama ia longe, e atraía os mais supersticiosos, principalmente no Dia de Finados, visto que muitos faziam preces para o eterno casal apaixonado. A reportagem finaliza ao som de “Unchained Melody“, tema do filme “Ghost”, e com o adolescente, o visitante da noite, que dizia precisar de conselhos amorosos, visto que ele era muito tímido em relação as meninas.

A reportagem finaliza ao som de “Unchained Melody“, tema do filme “Ghost”, e com o adolescente, o visitante da noite, que dizia precisar de conselhos amorosos, visto que ele era muito tímido em relação as meninas.

Impressionante, não é mesmo? Infelizmente, no entanto, é necessário contar algumas coisas para vocês sobre essa reportagem e a lenda dos túmulos de São João do Triunfo.

A Recente Matéria Exibida Pelo “Tribuna da Massa” Não é Tão Recente Como Muitos Podem Pensar

Poucas pessoas sabem, mas em agosto de 2015, a Rede Massa (TV Iguaçu) já havia exibido essa mesma reportagem sobre o “misterioso e inexplicável” caso dos túmulos, que teriam se unido em um cemitério de São João do Triunfo. Na época, o programa era apresentado por Paulo Roberto “Galo”, sendo que a reportagem em si era do próprio Eleandro Passaia, então apresentador do “Tribuna da Manhã”.

Poucas pessoas sabem, mas em agosto de 2015, a Rede Massa (TV Iguaçu) já havia exibido essa mesma reportagem sobre o “misterioso e inexplicável” caso dos túmulos, que teriam se unido em um cemitério de São João do Triunfo

Confiram a reportagem abaixo, que é exatamente a mesma, e que foi publicada por um canal de terceiros, no YouTube:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=tUAmw5xIjGI]

Nesse outro vídeo, Paulo Roberto “Galo” aparece dizendo, que estávamos prestes a conhecer uma história sobrenatural, que ultrapassava o limite entre a vida e a morte. Em um clima de suspense e mistério, aparentemente em um quadro do programa chamado “Mistérios Inexplicáveis”, ele fez a chamada para a matéria, que conforme disse anteriormente é exatamente a mesma que foi exibida em dezembro do ano passado.

Nesse outro vídeo, Paulo Roberto “Galo” aparece dizendo, que estávamos prestes a conhecer uma história sobrenatural, que ultrapassava o limite entre a vida e a morte

Quando a mesma terminou de ser exibida, ainda houve o comentário do apresentador Paulo Roberto “Galo” que, inspirado, leu uma passagem da Bíblia (Coríntios 13:13), que dizia: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

O apresentador ainda questionou se haveria alguma explicação diferente para um caso como aquele, e que engenharia nenhuma do homem explicaria aquilo. Na época, o apresentador também sugeriu que a produção limpasse e restaurasse os túmulos, mantendo as características originais, tudo em nome do amor.

Quando a mesma terminou de ser exibida, ainda houve o comentário do apresentador Paulo Roberto “Galo” que, inspirado, leu uma passagem da Bíblia (Coríntios 13:13), que dizia: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Aparentemente, incrível e emocionante, não é mesmo? Porém, a lenda apresenta graves problemas.

Os Sérios Problemas em Relação a Lenda dos Túmulos, que Teriam “Misteriosamente” se Unido Após a Morte

Uma lenda nada mais é do uma tradição escrita ou oral de coisas muito duvidosas ou inverossímeis, também podendo significar mentira ou então ser um indivíduo conhecido por muitos e admirado pelos seus feitos, seja pelo seu talento, quanto pelo seu desempenho em determinada área (uma pessoa lendária). De acordo com o dicionário Michaelis, “lenda” significa relato oral ou escrito de acontecimentos, reais ou fictícios, aos quais a imaginação popular acrescenta uma boa dose de novos elementos, uma tradição popular. É uma narrativa fantasiosa ou crendice do imaginário popular sobre seres encantados ou maravilhosos da natureza (história fantástica ou mentirosa; fantasia).

Portanto, histórias que envolvem lendas, crendices ou “causos” não serão suscetíveis de quaisquer explicações, porque essencialmente são adicionadas informações totalmente fantasiosas e, separar o joio do trigo muitas vezes se torna inviável pela ausência de quaisquer comprovações nesse sentido, exceto, é claro do que é contado pelas pessoas. Isso não significa que seja verdade, uma vez que o fator humano, ou seja, os relatos sempre devem ser passíveis de questionamentos. Resumindo, tais histórias não precisam de explicação, porque a própria palavra “lenda” as definem, assim como acontece com a palavra “mitológico”, “folclore” etc. É por isso que elas são tão fascinantes, porque naturalmente não requerem nenhuma lógica.

Entrada do Cemitério Municipal de São João do Triunfo, em setembro de 2016

Não entrarei no campo das evidências anedóticas, mas visivelmente as pessoas entrevistadas aparentam contar tão somente aquilo que é contado pela cidade, ou seja, ninguém possui imagens ou registros escritos em qualquer lugar, de que os túmulos teriam realmente se unido, aos poucos ou até mesmo repentinamente, de maneira inexplicável ou sobrenatural. É possível notar, por exemplo, que uma das entrevistadas alega, que tudo teria acontecido poucos dias após o sepultamento de Maria Antunes, já uma outra alega que tudo teria ocorrido alguns meses após o sepultamento. Ninguém sabe quando exatamente aconteceu.

Por outro lado, conforme sempre digo a vocês, a omissão de informações é pior parte de uma reportagem ou de uma matéria, sendo que o material exibido pela Rede Massa não mostrou, intencionalmente ou não, em detalhes, o ano de nascimento e morte do suposto “casal” Maria Antunes e Lourenço. Contudo, encontrei ambas as imagens em site chamado “Todas Funerárias”, que comentou sobre o assunto em agosto de 2016, cerca de um ano após a reportagem ser originalmente exibida:

Placa de identificação do túmulo de Maria Antunes Ferreira
Placa de identificação do túmulo de Lourenço Hipólito Neto

Repararam em alguma coisa? Na placa de identificação do túmulo de Maria Antunes Ferreira consta sua data de nascimento, 3 de janeiro 1876, e de falecimento, 10 de fevereiro de 1939, ou seja, ela faleceu com 63 anos! Já no túmulo de Lourenço Hipólito Neto também encontramos a data de nascimento, 16 de outubro de 1924, e de falecimento, 24 de setembro de 1939, o que demonstra que ele morreu com apenas 15 anos, um adolescente! Isso nos mostra algumas coisas fundamentais: apesar de ambos terem morrido em 1939, a diferença de idade entre eles era de 48 anos! Isso não condiz com lenda, que os dois teriam tido um romance, ou seja, um casal eternamente apaixonado, e noivos prestes a se casar. Aliás, nenhum padre celebraria um casamento entre um adolescente de 15 anos e uma senhora de 63 anos hoje em dia e, muito menos, em 1939. Será que ninguém na cidade percebeu isso? Além disso, a matéria informa que Lourenço teria morrido primeiro, porém isso não é verdade, visto que Maria Antunes morreu meses antes de Lourenço.

Outro detalhe, ainda mais grave, são as mensagens contidas na placa de identificação de Maria Antunes, onde é possível ler “Lembranças do seu esposo e filho“, e na de Lourenço, onde é possível ler “Saudade de seu pai e irmãos“. Repararam em mais alguma coisa? Maria Antunes era casada e tinha um filho. Se hoje em dia já seria bem difícil de existir um relacionamento entre um adolescente de 15 anos e uma senhora de 63 anos, seria ainda muito mais difícil, praticamente impossível, que uma senhora casada, com filho, morando em uma cidade no interior do Paraná, que era ainda menor em 1939, simplesmente abandonasse seu lar e tentasse se casar ou ter um relacionamento amoroso com um adolescente. Já seria bem difícil caso fosse um homem adulto. Resumindo? Não faz nenhum sentido, ou seja, a lenda é totalmente absurda.

Outro detalhe, ainda mais grave, são as mensagens contidas na placa de identificação de Maria Antunes, onde é possível ler “Lembranças do seu esposo e filho“, e na de Lourenço, onde é possível ler “Saudade de seu pai e irmãos“. Repararam em mais alguma coisa? Maria Antunes era casada e tinha um filho.

Agora, como explicar a razão pela qual o túmulo está descentralizado em relação a sua “capela”? Bem, existem inúmeras possíveis explicações: deslocamento de terra, alguma exumação ou destruição do túmulo ao longo do tempo, cujo serviço foi executado de forma precária ou até mesmo uma violação de sepultura no meio da noite, cuja tentativa de reparo poderia ter sido mal executada. Simplesmente, não sabemos exatamente o que pode ter acontecido. Seria necessária uma análise técnica do solo e dos materiais de construção, além de uma boa pesquisa histórica.

Entretanto, talvez o túmulo de Maria Antunes dificilmente encostasse naturalmente no de Lourenço. E como podemos ter uma noção disso? Reparem bem no túmulo atual. Ele é bem mais largo que a sua capela, sendo possível notar que alguém, em algum momento, adicionou uma fiada de tijolos (uma fileira de tijolos) na parte direita do túmulo de Maria, talvez para fazer com que ambos se juntassem e, um eventual dolo se transformasse em uma linda lenda de amor além da vida. Esse é outro detalhe, que aparentemente ninguém percebeu ou quis perceber tanto em São João do Triunfo, quanto na realização da reportagem sobre o assunto.

Reparem bem no túmulo atual, ele é bem mais largo que a sua capela, sendo possível notar que alguém, em algum momento, adicionou uma fiada de tijolos (uma fileira de tijolos) na parte direita do túmulo, talvez para fazer com que ambos se juntassem e, um eventual dolo se transformasse em uma linda lenda de amor além da vida. Aliás, na foto acima vemos que os túmulos foram limpos e pintados de branco, ou seja, resolveram ajeitar a situação dos mesmos após as filmagens realizadas em 2015

Enfim, o mais impressionante é que alguns sites, depois que notaram a gritante diferença de idade e o fato de Lourenço ter morrido com apenas 15 anos, ou seja, ser um adolescente e menor de idade, tentaram supor que Maria fosse sua avó. Uma tentativa de fazer com que a lenda sobrevivesse após 76 anos, que ninguém, aparentemente, simplesmente leu corretamente as placas de identificação dos túmulos, e fez uma simples conta matemática. De qualquer forma, muito dificilmente isso poderia ser verdade devido aos sobrenomes de ambos e a época que as mortes ocorreram.

Essa é a razão pela qual de vez em quando, sempre que possível, é claro, faço questão de elaborar uma matéria sobre determinados assuntos. Muitas vezes, histórias como essa são meramente contadas sem maior profundidade e sem o fornecimento de maiores informações, deixando a critério exclusivo das pessoas decidirem se acreditam ou não em algo. Evidentemente, cada um pode acreditar no que quiser, porém para esse caso ser realmente sobrenatural precisaríamos acreditar em muita coisa indigesta e, consequentemente, imoral.

Até a próxima, AssombradOs!

Criação/Adaptação: Marco Faustino

Fontes:
http://sjtriunfo.pr.gov.br/index.php?sessao=1fc356c509hf1f&id=57
http://todasfunerarias.com.br/os-dois-tumulos-que-misteriosamente-se-juntaram/
http://www.redemassa.com.br/tv-iguacu/video/78bdf88010978e3d1a6e8bd77d3ca8c5
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_João_do_Triunfo
https://www.cidadao.pr.gov.br/arquivos/File/parana/livro_lendas.pdf
https://www.facebook.com/TribunadaMassa/videos/1112462068768231
https://www.facebook.com/noticiasnossojornal/posts/700527983415288

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